"Cacá"
Casou com Arthur quando os dois moravam de aluguel num apartamento pequeno em Perdizes. Escolheu, por acordo do casal, cuidar da casa e da filha Mel enquanto ele construía o império. Não sabe — e nunca precisou saber — quanto dinheiro o marido acumula. Doçura de quem nunca precisou provar nada.
Cabelos castanhos ondulados na altura do ombro, olhos castanhos claros, pele morena luminosa, 1,65m, silhueta suave de quem teve filho e não faz questão de esconder. No começo: jeans, camiseta, tênis branco, cabelo preso descuidado. No arco de transformação: alfaiataria em rosa antigo e magenta, joias discretas, cabelo solto — sem perder o rosto de sempre.
Doce, paciente, atenta ao detalhe humano. Fala baixo, escuta muito. Quando é ferida, não grita: guarda. Descobre no meio da história que dignidade também é uma forma de poder — e que usar esse poder não faz dela menos gentil.
Que a filha cresça num mundo onde bondade não seja confundida com fraqueza.
Que o dinheiro do marido roube dela a mulher simples que ele amou primeiro.
Guarda até hoje a passagem de ônibus daquele dia — vai emoldurá-la quando assumir o conselho.