O aço fantasma rasgou sua carne de novo, e o grito de Dominic foi a última coisa que ouviu antes que o silêncio do quarto a puxasse de volta. Diana despertou com um espasmo, o corpo coberto por um suor frio que encharcava a camisa grande demais — a camisa *dele*. A respiração ficou presa na garganta, um nó de pânico e memória.
As imagens ardiam por trás de seus olhos: o desprezo de Dominic, os rostos impassíveis do Conselho, a dor que a deixou para morrer. O quarto que Marcus lhe dera era austero, quase monástico, um contraste brutal com o luxo da noite anterior. Uma cela confortável. Ela se levantou, e o cheiro dele — pinho, terra e poder — que impregnava o algodão da camisa, subiu como uma onda, não a confortando, mas marcando-a. Era o cheiro de sua nova gaiola.
— O pesadelo tinha um nome.
A voz de Marcus, baixa e calma, veio da porta entreaberta. Ele estava ali, uma silhueta na penumbra, segurando duas canecas que fumegavam. Ele não pediu licença, apenas entrou, o chão de madeira mal rangendo sob seu peso. O gesto de estender uma das canecas para ela era tão absurdamente doméstico que uma onda de irritação a percorreu.
Diana lhe deu as costas, encarando a lua que banhava a floresta infinita numa luz prateada e indiferente.
— Não preciso de uma babá.
— Eu sei. — Marcus pousou as canecas em um aparador. A dela ficou intocada, um pequeno ato de desafio no silêncio tenso. — Mas você precisa de respostas. Dominic Vance. O Conselho. Venho observando os dois há quase um ano.
O ar em seus pulmões congelou. Ela se virou devagar, cada músculo tenso, a incredulidade sendo engolida por uma suspeita gélida.
— O quê?
— Seu antigo Alfa sempre foi ambicioso. E imprudente. — O tom dele era factual, como o de um predador descrevendo a falha de sua presa. — Estava fazendo acordos nas sombras, prometendo linhagens que não eram dele. O Conselho, por outro lado, está se afogando em paranoia. Eles veem traição em qualquer um que não se curve.
Ele deu dois passos, parando perto o suficiente para obrigá-la a erguer o queixo para encará-lo. Sua presença era uma muralha.
— Não tentaram matar você porque era fraca, Diana. — Seus olhos âmbar a prenderam. — Foi porque não sabiam o quão forte você poderia se tornar. Seu exílio não foi um acidente que eu encontrei. Foi o erro que eu esperava que eles cometessem.
A revelação não foi um soco; foi um estilhaço de gelo se alojando em seu coração. Ele sabia. Estava esperando. Ela não fora resgatada; fora interceptada. A humilhação deu lugar a uma fúria lúcida e cortante. Um peão em um jogo que ela nem sabia existir.
— Então fui útil — ela sibilou, a voz baixa e perigosa. — A isca que provou que a armadilha funcionava.
— Você foi o erro de cálculo deles. — Seus olhos se intensificaram, e pela primeira vez, ela viu um brilho de algo que não era controle, mas… interesse genuíno. — A peça que eles subestimaram. Você quebrou o tabuleiro. E agora, está no meu.
Ele não a salvara. Ele a reivindicara. Proteção era só outro nome para posse. Ela olhou para as próprias mãos, as mesmas que estilhaçaram um copo sem querer. Uma arma que ele encontrou. Um prêmio.
*Não.*
A resolução se forjou em seu íntimo, dura como aço. Ela ergueu a cabeça, o medo recuando para dar lugar a uma clareza fria.
— Eu não sou uma peça — disse ela, a voz firme, ecoando no quarto. — Nem sua. Nem deles.
Sem esperar resposta, ela passou por ele, o ombro quase roçando o dele, e saiu do quarto, deixando para trás o cheiro de café e poder contido.
O sol da manhã ainda estava baixo e tímido quando Diana encontrou o que procurava: um pátio de terra batida nos fundos da casa, cercado por pinheiros. Troncos de madeira, barras de metal e espaço. O ar gelado mordia sua pele através da camisa fina. Ela não se importou.
Começou a correr. Sem rumo, seguindo uma trilha que serpenteava pela propriedade, a respiração queimando os pulmões num fogo bem-vindo. Cada passo, um ato de rebelião. Cada gota de suor, uma tentativa de lavar a vergonha. Quando os músculos gritaram e o fôlego a traiu, ela voltou ao pátio. Ignorando a pontada na cicatriz em seu flanco, agarrou um tronco pequeno com um grunhido, a madeira áspera arranhando suas palmas. Ergueu. Abaixou. Repetiu. A dor virou foco. A fraqueza a trouxe até aqui. A força a levaria para longe.
Da varanda de vidro do andar de cima, Marcus observava. Ele esperava lágrimas, desespero, talvez uma busca por consolo. Saberia lidar com isso. Mas não estava preparado para o que via.
Ela não se lamentava. Ela forjava a si mesma em fúria. Seus movimentos eram brutos, ineficientes, mas movidos por uma vontade inquebrantável. Era a raiva de uma sobrevivente se recusando a ser vítima outra vez. Ele a viu tropeçar, cair de joelhos na terra, o corpo tremendo de exaustão, e se levantar de novo. O rosto sujo, o cabelo grudado de suor, os olhos queimando com um fogo teimoso.
A pena que sentiu no rio se desfez, substituída por algo mais complexo. Respeito relutante. Admiração crua. O instinto do vínculo de companheiro — a posse, a curiosidade — deu lugar a uma verdade mais fundamental e perigosa.
Ele não encontrara apenas uma linhagem rara ou uma companheira predestinada. Tinha encontrado um incêndio. A loba que ele tirou do rio não estava se curando. Estava se afiando em uma arma.
Seu plano era simples: usar a injustiça cometida contra ela como arma contra o Conselho. Mas, enquanto a observava lutar contra a própria exaustão, um pensamento intrusivo e possessivo surgiu, tão afiado quanto um punhal: ele não queria que ninguém mais a visse daquele jeito. Não por estratégia. Não para protegê-la como um bem valioso.
Ele não queria mais usá-la. Ele a queria.