Grávida do Inimigo do Meu Pai
Cap. 3 de 24 · 8%

Correntes de Seda

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O silêncio a acordou. Não era a ausência de som, mas uma pressão no ar, um vácuo que engolia qualquer ruído antes que ele pudesse nascer. Um silêncio de fim de mundo. Alana abriu os olhos para um teto de madeira escura e vigas expostas. O lençol que a cobria não era seu algodão fino, mas seda, deslizando como água gelada por sua pele nua. Sentou-se de supetão, a cabeça latejando. O quarto era uma imensidão minimalista de pedra e vidro, e a parede à sua frente revelava um mar de picos nevados sob um sol pálido demais para aquecer qualquer coisa. Correntes de seda, uma jaula de luxo. A lembrança das palavras dele a atingiu como um soco no estômago: *Seu erro foi pensar que poderia ter um segredo para esconder de mim.* O pânico subiu, quente e metálico. Ela saltou da cama. Dobradas sobre uma poltrona, roupas a esperavam: calça de caxemira, um suéter macio, meias de lã. Um uniforme. O uniforme da prisioneira. Ignorou-as, a adrenalina um chicote em suas veias, e correu para a porta. A maçaneta de metal polido girou, suave e silenciosa. Destrancada. Por um instante, a confusão lutou contra o medo. O corredor estava vazio, um túnel de madeira e pedra que a levou a uma escada flutuante. Nenhum som. O cheiro de café fresco flutuava em uma cozinha de aço inoxidável que parecia intocada, um cenário montado. Seus olhos varreram o espaço, procurando apenas uma coisa. A porta da frente. Imensa, de madeira maciça, sem fechadura aparente. Alana agarrou a maçaneta pesada, o metal gelado um choque contra a pele quente de pavor. Puxou. Nada. Empurrou com o ombro, com o peso do corpo. A porta não cedeu um milímetro. Era parte da parede. Um soluço de frustração rasgou sua garganta. As janelas. A parede de vidro se estendia do chão ao teto, uma paisagem gloriosa emoldurando sua derrota. Ela correu até lá, espalmando as mãos na superfície fria em busca de uma trava, uma fresta, uma falha. Nada. Apenas vidro liso, impenetrável. Bateu com o punho fechado, o som abafado e patético. O vidro blindado nem sequer vibrou. Correu pela cozinha, o desespero guiando seus pés descalços. Uma porta menor, de serviço, levava a uma despensa e a um corredor estreito. No fim, uma saída — provavelmente para uma garagem. Uma faísca de esperança explodiu em seu peito. E então se apagou. Um homem de terno escuro estava parado ao lado da porta, imóvel como uma estátua. Ele não a encarou com ameaça ou sequer interesse. Seu olhar passou por ela como se fosse um inseto e voltou a se fixar na parede oposta. Ele não precisava de uma arma. Sua simples presença era um muro. Alana recuou, um passo de cada vez, o peso da derrota esmagando seus pulmões. Ela se virou, pronta para encarar seja lá o que a esperava no centro da sua prisão. Dominic estava no topo da escada. Simplesmente estava lá, em silêncio, observando-a do alto, a postura relaxada de quem assiste a um espetáculo cujo final já conhece. Usava calças escuras e um suéter de lã cinza que acentuava a largura de seus ombros, segurando uma xícara de café. Ele a deixou voltar para o meio da sala. Deixou que ela sentisse o peso de cada câmera escondida, de cada centímetro daquela fortaleza projetada para contê-la. — Satisfeita? — A voz dele cortou o silêncio, calma, sem um pingo de emoção. Uma pergunta clínica. O ar pareceu se solidificar. Alana ergueu o queixo, a raiva a única coisa que a mantinha em pé. — Você é um monstro. — Sou eficiente — ele corrigiu, descendo os degraus lentamente, nunca quebrando o contato visual. — Tentar fugir com essa roupa, nesta altitude, não seria uma fuga. Seria suicídio. A única coisa que removi foi a sua opção de morrer. — Para o meu bem, suponho? — ela cuspiu, a ironia corroendo cada sílaba. — Isso não é para o meu bem. É uma prisão. — É um santuário. — Ele parou a poucos metros, perto o suficiente para que ela sentisse a autoridade que emanava dele. — Aqui, você e o bebê estarão seguros. Terá tudo de que precisa. O plano alimentar recomendado pelo seu médico já está na despensa. As vitaminas pré-natais estão na bancada. A água vem direto da nascente. Cada palavra era uma volta de uma corrente invisível em seus pulsos. Ele não a estava punindo. Estava a possuindo. Cultivando-a como um espécime raro e valioso. — E o que eu sou nisso tudo? Sua… sua incubadora particular? O olhar dele escureceu, a primeira rachadura em sua fachada de gelo. — Você vai parar de se enxergar como um produto da dívida do seu pai e começar a agir como a mãe do meu filho. Esse é o seu papel. Sua mão tremeu, e ela a fechou em punho ao lado do corpo. O estômago revirava de ansiedade, mas uma ideia se formou. Uma arma. A única que lhe restava. Seus olhos faiscaram com uma nova determinação. — Eu não quero nada de você. Nem sua comida, nem suas roupas, nem sua água de nascente. Dominic observou o desafio em seu rosto. Não houve raiva, nem frustração. Apenas uma análise fria. Ele se virou, dando-lhe as costas, e caminhou até a ilha de mármore na cozinha, onde um prato com frutas frescas e pães artesanais estava intocado. Ele parou, o olhar ainda voltado para longe dela. Sua voz, quando falou, era baixa, precisa, final. — Você tem o direito de passar fome, Alana. Ela sentiu uma onda de triunfo. Ele não podia obrigá-la. Não podia. Ele então se virou, mas não olhou para ela. Seu olhar desceu para o ventre dela, um gesto possessivo e definitivo que a fez gelar por dentro. — Mas o bebê não tem.
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